sábado, 2 de fevereiro de 2013

Rabiscos sobre "Uma descrição densa" de Clifford Geertz


Geertz em sua “Descrição Densa” faz a defesa do uso de metáforas na construção intelectual . O autor utiliza duas metáforas principais para ilustrar seu texto: a piscadela de um garoto (na verdade 3: o que tem toque nervoso, o que está tramando algo e o imitador) e a história do judeu e os beberes. O autor admite que seu conceito de cultura toma emprestado de Weber a compreensão de que o indivíduo está envolvido em tramas que ele mesmo teceu. A partir daí, Geertz defende que a redução do conceito de cultura de forma a limitá-lo e especificá-lo faz com que seja um forte aparato teórico para a compreensão da realidade. Sua definição de cultura diz que esta são as teias simbólicas que envolvem o indivíduo. A etnografia é a descrição densa dos fatos observáveis cujo objeto é passível de ser interpretado. O texto etnográfico é denso porque permite interpretações próprias de terceira mão do pesquisador (já que de primeira mão só o agente da cultura poderia fazê-lo). A análise dos dados para a interpretação é um esforço em compreender as estruturas de significação que envolvem determinado fato.  Para o autor, o trabalho do etnógrafo assemelha-se ao do crítico literário. Fazer etnografia se assemelha um pouco ao trabalho do paleontólogo em que o grande desafio é compreender para interpretar manuscritos antigos e desbotados. Sendo o ensaio a forma de escrita mais abrangente na etnografia.  A etnografia fornece um vocabulário teórico que expressa o ato simbólico na vida humana. Por fim, o autor defende que comprometer-se a um conceito semiótico de cultura significa comprometer-se a compreender que a etnografia não é um processo acabado, mas se constrói no próprio fazer e sempre será incompleto.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Reflexões


O que um antropólogo realmente quer?
Quer desvendar os segredos de outra cultura?
Quer estudar e conhecer muito bem outras culturas a fim de facilitar a dominação?
Quer viver e conhecer outra cultura porque não suporta a superficialidade das relações que despendem do modo de produção em que vivem?
Quer viver e conviver com outra cultura para trocar saberes e aprender compreender melhor o mundo e as coisas à sua volta?
È o tradutor da cultura alheia para sua própria?
Na verdade o que o antropólogo quer é desenvolver seu trabalho de branco que vive numa fronteira cultural sempre entre a sua cultura e a outra. É uma profissão plural. Faz-se necessário ser muitos ao mesmo tempo. Todo ser humano é assim: mutável, muitos em um só. O antropólogo não foge à regra e tem essa pluralidade como profissão.
Poderia eu comparar o antropólogo ao ator?
O ator também precisa ser muitos em um só.
O ator representa, o antropólogo também: participativamente.
O ator finge, chora e ri, o antropólogo dissimula.
O ator tem o palco, o antropólogo o campo.
O ator tem a iluminação, o antropólogo as variações do tempo.
O ator tem público, o antropólogo também: ouvintes e leitores.
Podemos então concluir que o antropólogo na verdade é um ator que desenha e desdenha com alto grau de destreza sua máscara social, de tal forma que se adapta bem às novas peças/dramas que serão vividos.
O ser humano é ator.
O antropólogo é ser humano.
O antropólogo é ator.
E como ator basta-lhe, para que interprete o que está sendo vivido em todos os seus âmbitos rituais e organizacionais.
Na verdade o antropólogo é um contador de histórias.
Por fim,
arte e antropologia não compõem caixas separadas
Complementam-se em lirismos e histórias.